Quantificação das emissões de gases de efeito estufa no incêndio do Parque Estadual do Cocó 2024 utilizando sensoriamento remoto
DOI:
https://doi.org/10.62059/LatArXiv.preprints.658Keywords:
Carbono azul, Severidade, Mudanças climáticasResumen
Os manguezais urbanos constituem ecossistemas estratégicos de Carbono Azul, desempenhando papel relevante na mitigação das mudanças climáticas. No entanto, quando são perturbados por incêndios florestais, esses ambientes podem converter-se rapidamente de sumidouros em fontes de gases de efeito estufa (GEE). Este estudo teve como objetivo estimar as emissões de GEE associadas ao incêndio ocorrido em 2024 no Parque Estadual do Cocó (PEC), em Fortaleza. A metodologia integrou dados de sensoriamento remoto de alta resolução (PlanetScope, 3 m) para delimitação da área queimada e estratificação da severidade do fogo e com as equações propostas pelas diretrizes do IPCC. As emissões de CO₂, CH₄, N₂O, CO e NOx foram calculadas a partir da área queimada, carga de biomassa, fatores de combustão e fatores de emissão específicos para bosques de manguezais e outras formações vegetais. Os resultados indicam que o incêndio resultou na liberação total de 507,5 t de CO₂, sendo a classe “Outra Vegetação” responsável por aproximadamente 60% das emissões, em função da elevada eficiência de combustão da biomassa seca. Em contraste, os manguezais apresentaram maior contribuição relativa de metano (CH₄), associada à combustão incompleta. A severidade moderada respondeu por cerca de 87% das emissões totais, evidenciando que a extensão da área queimada foi o principal fator de impacto climático. Conclui-se que a integração entre sensoriamento remoto de alta resolução e parâmetros biofísicos específicos é essencial para inventários precisos de GEE em ecossistemas costeiros urbanos, fornecendo subsídios técnicos para o manejo preventivo do fogo e a proteção dos estoques de Carbono Azul.
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